Atenção prematura

Estudo finlandês revela que crianças que nascem antes dos nove meses de gestação têm maior probabilidade de desenvolver depressão



Além de todas os cuidados habituais com a gravidez, um levantamento realizado na Finlândia aponta que há uma nova fonte de preocupação para os pais e familiares. Já é de conhecimento geral que o parto prematuro pode favorecer o surgimento de algumas doenças, como o transtorno do déficit de atenção e a hiperatividade. Esse novo estudo, porém, vai mais longe: aponta uma relação entre os bebês que nascem antes dos nove meses e a depressão.


O grupo de cientistas finlandeses da Universidade de Turku observou o desenvolvimento gestacional de recém-nascidos e fez uma comparação com o estado psíquico dessas crianças e adolescentes ao longo dos anos.


No estudo, os pesquisadores analisaram dados de 37.682 bebês nascidos no país nórdico entre janeiro de 1987 e dezembro de 2007, todas diagnosticadas como depressivas. Foi feita uma análise então com 148.795 crianças que nasceram no mesmo período, mas que não eram portadoras do transtorno. Segundo Alfredo Maluf, psiquiatra do hospital Albert Einstein, os dados permitem uma avaliação adequada. “Quanto mais trabalhos desse tipo tivermos, melhor será nossa compreensão sobre a doença”, afirma.


O médico explica que a depressão pode ser desencadeada por fatores externos e biológicos, como as deficiências neurológicas, por exemplo. Em crianças que nasceram prematuras, no entanto, a doença está mais relacionada aos fatores de risco da mãe. “Ao nascerem antes da hora, os cérebro dos bebês não estão suficientemente prontos, por isso há relação com problemas biológicos”, explica.


Os resultados da pesquisa apontaram que as meninas nascidas prematuramente, com menos de 28 semanas de idade gestacional, têm três vezes mais chances de desenvolver depressão. Mas essa condição também pode ser observada em bebês de ambos os sexos com baixo crescimento fetal. A depressão atinge de 1% a 2% das crianças e de 3% a 8% dos adolescentes no mundo. No Brasil, não há números exatos, mas há indícios de que cerca de 10% dos adolescentes sofram desse mal.


Estilo de vida

A psicóloga Joviana Quintes Avanci, pesquisadora da ENSP/Fiocruz, analisou o estudo sob as características das mães brasileiras, uma vez que são distintas das europeias. “No Brasil os fatores mais relevantes são os relacionados com os atritos familiares”, afirma.

A especialista acredita que, quanto mais precoce for a intervenção, mais adequado será o diagnóstico, uma vez que, em crianças, ele é mais difícil de ser feito. Ao acender a luz amarela sobre essa relação, esse estudo pioneiro permite que os pais possam acompanhar o desenvolvimento psicológico dos filhos desde cedo – e intervir com mais assertividade quando necessário.




Fonte: Revista ISTOÉ

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