O impacto das primeiras experiências do bebê


Quando você pensa em arquitetura, logo vem a ideia de design e da construção de uma casa ou edifício, certo? Bem, quando falamos em arquitetura e desenvolvimento cerebral, estamos fazendo uma analogia a planta da obra, a estrutura e a estratégia que um arquiteto usaria para criar um projeto. O conceito é que o cérebro é construído ao longo do tempo, começando nos primeiros anos de vida, aprendendo primeiro as habilidades simples, com as habilidades mais complexas sendo construídas sobre elas. A primeira coisa a fazer em uma casa é construir o alicerce, para só então levantar as paredes e instalar a fiação para finalizar a construção. O desenvolvimento cerebral é muito parecido com isso, começa com uma base e então as habilidades simples geram as habilidades mais complexas, sobrepondo-se umas às outras.



Nos primeiros anos de vida, o cérebro aprende primeiro as habilidades simples, com as habilidades mais complexas sendo construídas sobre elas.


As capacidades cognitivas emocionais e sociais estão entrelaçadas ao longo da vida. Antes, na psicologia, estudávamos cognição, emoção e desenvolvido social separadamente, mas agora sabe-se que os três andam juntos, particularmente nos primeiros anos de vida.

A conclusão desse primeiro princípio é que uma base sólida nos primeiros anos de vida melhora as chances de resultados positivos, ao passo que uma base fraca aumenta as chances de dificuldades posteriores. A capacidade de mudança do cérebro é menor com o tempo, pois a plasticidade cerebral diminui com a idade. Por isso é muito mais fácil para uma criança aprender um novo idioma do que para um adulto, pois o esforço fisiológico do cérebro para esse aprendizado é muito menor na criança.


Outro princípio da arquitetura do cérebro é que os circuitos neurais são conectados de forma ascendente – o que casa perfeitamente com o fato de que primeiro aprendemos habilidade simples para então adicionar as habilidades mais complexas.


Os neurologistas costumavam pensar que o cérebro se desenvolvia como um todo ao mesmo tempo, mas agora sabemos que não, e que de fato diferentes partes do cérebro desenvolvem-se em ritmos e em idades diferentes.


Nos estágios iniciais do desenvolvimento cerebral, as áreas associadas a informações sensoriais como visão, audição e tato são as que se desenvolvem primeiro. Só depois é que surgem as habilidades relacionadas à linguagem, com a função cognitiva completa aparecendo mais tarde, no decorrer do crescimento.

Ao comparar as sinapses cerebrais de uma criança aos seis meses e aos seis anos de idade, podemos verificar um aumento exponencial de conexões. Já quando comparamos as sinapses de um adolescente de quatorze anos com uma criança de seis anos, verificamos que a quantidade de conexões do adolescente é menor, pois algumas conexões foram perdidas através da poda neuronal. Isso ocorre porque ao longo do desenvolvimento não necessitamos mais de algumas ferramentas que utilizávamos no início do aprendizado, mais ou menos como uma bicicleta em que no início colocam-se rodinhas de apoio, que depois podem ser dispensadas quando aprendemos a nos equilibrar. Nos primeiros anos temos também o que se chama de períodos sensíveis.


Períodos sensíveis são períodos de tempo limitados durante os quais o efeito da experiência inicial no cérebro é particularmente forte. Eles permitem que a experiência instrua os circuitos neurais a processarem informações de maneira adaptativa e fornecem informações essenciais para o desenvolvimento normal, além de alterar o desenvolvimento permanentemente. São momentos críticos, nos quais a experiência tem um efeito profundo no cérebro.






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